Aquele tom grave e sisudo preocupou, ainda mais, o Júlio. Nunca a tinha visto assim, por isso, sabia que algo de muito grave se estava a passar. Estava tão séria que nem sequer tinha correspondido ao seu beijo e ao seu abraço. Naqueles breves segundos passaram-lhe imensas ideias pela cabeça: ela estaria gravemente doente ou então teria que voltar para Lisboa ou então tinha desistido do curso. Nenhuma das suas suposições estava correcta.
Quando ela ganhou coragem e lhe contou o que tinha acontecido durante o fim-de-semana, ele ficou parado, quieto e pálido. Não sabia o que dizer, nem o que fazer. Olhava para a Margarida e não a reconhecia. A mulher da sua vida não o magoaria daquela maneira. A mulher com quem queria passar o resto da sua vida jamais o trairia. Não queria acreditar que aquilo era verdade e obrigou-a a repetir. Quando finalmente caiu em si e percebeu que aquilo não era um pesadelo, mas sim a dura realidade, quis saber quem era o outro que a tinha roubado de si e tinha roubado o seu lugar. Ela, como seria de esperar, não lhe revelou que o culpado daquela situação era o Ivo, o seu melhor amigo, a pessoa em quem ele mais confiava. Estava tão destroçado que não teve forças sequer para discutir. A desilusão estava espelhada nos seus olhos, onde as lágrimas começavam a acumular-se.
- Desiludiste-me tanto Margarida, tanto.
por Patrícia de Carvalho

1 comentário:
Obrigada pelo teu comentário. Também gosto muito dos teus textos, do teu jeito de escrever. Sabe bem... (sabes do que falo, já que partilhas da mesma "paixão")... :) Beijinho enorme*
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