O subtil, o reflexo, o vago, o indefinido,
Tudo o que o nosso olhar só vê por um momento,
Tudo o que fica na Distância diluído,
Como num coração a voz do sentimento.
Tudo o que vive no lugar onde termina
Um amor, uma luz, uma canção, um grito,
A última onda duma fonte cristalina,
A última nebulosa etérea do Infinito...
Esse país aonde tudo principia
A ser névoa, a ser sombra ou vaga claridade,
Onde a noite se muda em clara luz do dia,
Onde o amor começa a ser uma saudade;
O longínquo lugar aonde o que é real
Principia a ser sonho, esperança, ilusão;
O lugar onde nasce a aurora do Ideal
E aonde a luz começa a ser escuridão...
A última fronteira, o último horizonte,
Onde a Essência aparece e a Forma terminou...
O sítio onde se muda a natureza inteira
Nessa infinita Luz que a mim me deslumbrou!...
O indefinido, a sombra, a nuvem, o apagado,
O limite da luz, o termo dum amor
Tornou o meu olhar saudoso e magoado,
Na minha vida foi minha primeira dor...
Mas hoje, que o segredo oculto da Existência,
Num momento de luz, o soube desvendar,
Depois que pude ver das Cousas a essência
E a sua eterna luz chegou ao meu olhar,
Meu infinito amor é a Alma universal,
Essa nuvem primeira, essa sombra d’outrora...
O Bem que tenho hoje é o meu antigo Mal,
A minha antiga noite é hoje a minha aurora!...
por Teixeira de Pascoaes
Acerca de mim
quinta-feira, janeiro 22, 2009
quarta-feira, janeiro 21, 2009
A culpa de Isabel
Quando chegou à estação dos comboios sentiu um grande vazio e uma enorme tristeza.
Estava sozinha, ia partir e não estava lá ninguém para lhe dizer adeus. Culpou as suas amigas por não a compreenderem e não a apoiarem, culpou o Hélder por ter ido para o Alentejo e por a ter deixado sozinha e vulnerável, por fim, culpou o Rui por não se ter apaixonado por ela.
Respirou fundo e culpou-se a si. Culpou-se por ter afastado as suas amigas e por não lhes ter dado ouvidos, culpou-se por ter perdido o Hélder, que agora sabia, era o homem da sua vida, culpou-se por se ter deixado levar pelos beijos calorosos do Rui.
Culpava-se agora de toda a sua solidão e, acima de tudo, arrependia-se da sua decisão de abandonar Coimbra, mas agora já não podia voltar atrás.
Ia a caminho de Lisboa.
por Patrícia de Carvalho
Estava sozinha, ia partir e não estava lá ninguém para lhe dizer adeus. Culpou as suas amigas por não a compreenderem e não a apoiarem, culpou o Hélder por ter ido para o Alentejo e por a ter deixado sozinha e vulnerável, por fim, culpou o Rui por não se ter apaixonado por ela.
Respirou fundo e culpou-se a si. Culpou-se por ter afastado as suas amigas e por não lhes ter dado ouvidos, culpou-se por ter perdido o Hélder, que agora sabia, era o homem da sua vida, culpou-se por se ter deixado levar pelos beijos calorosos do Rui.
Culpava-se agora de toda a sua solidão e, acima de tudo, arrependia-se da sua decisão de abandonar Coimbra, mas agora já não podia voltar atrás.
Ia a caminho de Lisboa.
por Patrícia de Carvalho
terça-feira, janeiro 20, 2009
Devaneios - parte I
Este fogo que me queima e me consome por dentro põe-me louca.
Tira-me o sentido das minhas acções e afunda-me em mim própria.
Que vontade de sair atrás do meu sonho...
Ai... se eu soubesse ao menos onde ele está!
Ando por aqui e por ali,para trás e para a frente e tudo o que encontro é a confusão tão logicamente espalhada.
Pergunto-me qual será o motivo desta falta de razão e de consciência
Só sei que se me descuido e deixo o inconsciente vencer as barreiras do consciente estou perdida
Perdida por mim mesma que não sou capaz de encontrar o eixo que alinhe todas estas minhas dúvidas e certezas
Perdida na certeza da incerteza constante que me persegue
Perdida numa perseguição fugaz de busca do sonho
Perdida pelo sonho que afinal é real
Então, conscientemente de forma inconsciente interiorizo a realidade e assumo que já não tenho o sonho
E se sonho, quando sonho, é porque procuro a fuga desta vida tão baralhada e tão despropositada
Procuro a saída deste labirinto, atravesso dúvidas e incertezas com a certeza que busco o que preciso
Vejo ao longe a luz no fundo do túnel, mas não sei o que me assusta mais: se a luz forte, se a profundidade do fundo do túnel?!
por Patrícia de Carvalho
Tira-me o sentido das minhas acções e afunda-me em mim própria.
Que vontade de sair atrás do meu sonho...
Ai... se eu soubesse ao menos onde ele está!
Ando por aqui e por ali,para trás e para a frente e tudo o que encontro é a confusão tão logicamente espalhada.
Pergunto-me qual será o motivo desta falta de razão e de consciência
Só sei que se me descuido e deixo o inconsciente vencer as barreiras do consciente estou perdida
Perdida por mim mesma que não sou capaz de encontrar o eixo que alinhe todas estas minhas dúvidas e certezas
Perdida na certeza da incerteza constante que me persegue
Perdida numa perseguição fugaz de busca do sonho
Perdida pelo sonho que afinal é real
Então, conscientemente de forma inconsciente interiorizo a realidade e assumo que já não tenho o sonho
E se sonho, quando sonho, é porque procuro a fuga desta vida tão baralhada e tão despropositada
Procuro a saída deste labirinto, atravesso dúvidas e incertezas com a certeza que busco o que preciso
Vejo ao longe a luz no fundo do túnel, mas não sei o que me assusta mais: se a luz forte, se a profundidade do fundo do túnel?!
por Patrícia de Carvalho
terça-feira, janeiro 06, 2009
O tom certo
Chove lá fora.
Gosto tanto da chuva, do barulho que faz ao bater na janela, do cheiro que deixa no ar e da melancolia que cada gota solta quando cai no chão. Mas esta chuva parece-me diferente, soa-me diferente. Não sei porquê! A chuva continua a ser água, continua a cair vinda do céu e continua a deixar aquele maravilhoso aroma a terra molhada.
Definitivamente não é da chuva, sou eu. Eu pareço-me diferente, soo-me diferente. Deixei de andar perdida entre o preto e branco e entre o excesso de cores. Encontrei agora o tom que melhor se adequa a mim e à minha maneira de estar na vida. E como é bom.
Parece que o depois já chegou...
por Patrícia de Carvalho
Gosto tanto da chuva, do barulho que faz ao bater na janela, do cheiro que deixa no ar e da melancolia que cada gota solta quando cai no chão. Mas esta chuva parece-me diferente, soa-me diferente. Não sei porquê! A chuva continua a ser água, continua a cair vinda do céu e continua a deixar aquele maravilhoso aroma a terra molhada.
Definitivamente não é da chuva, sou eu. Eu pareço-me diferente, soo-me diferente. Deixei de andar perdida entre o preto e branco e entre o excesso de cores. Encontrei agora o tom que melhor se adequa a mim e à minha maneira de estar na vida. E como é bom.
Parece que o depois já chegou...
por Patrícia de Carvalho
sexta-feira, janeiro 02, 2009
Ano Novo
Ano novo.
Vida nova.
Desejos novos.
Objectivos novos.
Pessoas novas.
Sentimentos novos.
Situações novas.
O início de um novo ciclo.
por Patrícia de Carvalho
Vida nova.
Desejos novos.
Objectivos novos.
Pessoas novas.
Sentimentos novos.
Situações novas.
O início de um novo ciclo.
por Patrícia de Carvalho
Subscrever:
Comentários (Atom)
