Entregou-se de corpo e alma.
Sem medo e sem vergonha
Entregou-se totalmente.
A sua alma ja não lhe pertencia,
Pertencia a outra pessoa
Essa pessoa que detinha também o seu coração
Era tão feliz assim:
Vivia para ele e para o seu amor.
Tinha alcançado o seu sonho: ser dele
Não precisava de mais nada para ser feliz
Tinha o seu amor, os seus braços e os seus beijos
Tinha a sua atenção e o seu carinho
Tinha tudo o que sempre havia desejado
Quando menos esperava o sonho chegou ao fim
De um momento para o outro
Sem explicações nem justificações
Sem uma lágrima
Sem compaixão
Naquele tempo a vida só tinha sentido se fosse com ele
O futuro só existiria se fosse ao lado dele
E tudo o que planearam esmoreceu e desapareceu nas nuvens da ilusão
O que resta agora são lembranças
Mais tristes que felizes, mas lembranças.
Momentos vividos que perderam o significado e
Desaparecem agora no túnel do tempo.
Não têm já significado
Hoje já nada faz sentido.
Aqueles momentos perderam a alma.
Aquelas promessas perderam o sentido.
Aqueles beijos perderam o sentimento.
Hoje, ela olha para trás e o que vê é tempo perdido.
por Patrícia de Carvalho
Acerca de mim
quinta-feira, outubro 30, 2008
segunda-feira, outubro 06, 2008
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
por Eugénio de Andrade
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
por Eugénio de Andrade
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